domingo, 3 de julho de 2011

You promise?

Abigail Breslin e Ryan Reynolds in Definitely maybe.



As crianças têm uma tendência a pedir tudo e mais alguma coisa aos pais e, quando estes não lhes dão insistem muito mas muito o que se torna irritante. Porém os pais acabam por dizer que sim, um sim fingido e a criança faz a tal pergunta muito frequente : "Prometes mãe/pai?". Esta pergunta é feita em tantas ocasiões embora o sujeito e o "destinatário" não sejam sempre os mesmo. 
Prometemos coisas que não podemos cumprir, fazemos prometer alguém que não cumpre e, depois há consequências. 
Nos adolescentes de hoje, e não só de hoje, há promessas de amor eterno e de nunca deixar a pessoa amada, essas pessoas sabem desde do princípio que não vão puder cumprir com o prometido, acreditem ou não, nada é eterno, pode apenas parecer enquanto estamos vivos. Eles cometem esse erro porque estão completamente, profundamente, apaixonados e como diz o velho ditado : O amor é cego. De facto é mas não se aplica em todos os casos como é possível notar.

Não devemos fazer juras de amor profundo e verdadeiro, tudo muda, as pessoas mudam - sim, elas mudam - e a vida dá muitas voltas, temos que saber amar no momento e saber apreciá-lo sempre como se fosse o último, assim temos mais do que garantido que aproveitamos bem e que nada nos passou despercebido e se de facto durar então é porque é amor verdadeiro e isso ninguém pode derrubar a não ser que deixem isso acontecer. O amor não é fácil, mas há que saber torná-lo menos difícil.

P.

"...e um dia vou tirar uma foto assim!"

Odeio acordar quando estou a sonhar


Não há direitos!
Uma menina a dormir tranquilamente, a sonhar o mais perfeito dos sonhos e na hora H...


Pai: M. acorda vá lá! São horas oupa.
M.: Pai. só mais 5 minutos...
Pai: Já!


(e lá tenho de me levantar e ficar sem ver como terminaria o meu lindo sonho)

sexta-feira, 1 de julho de 2011


M.

Escrever



Se eu pudesse havia de... de...
transformar as palavras em clava!
havia de escrever rijamente.
Cada palavra seca, irressonante!
Sem música, como um gesto,
uma pancada brusca e sóbria.
Para quê,
mas para quê todo o artifício
da composição sintáctica e métrica,
este arredondado linguístico?
Gostava de atirar palavras.
Rápidas, secas e bárbaras: pedradas!
Sentidos próprios em tudo.
Amo? Amo ou não amo!
Vejo, admiro, desejo?
Ou não... ou sim.
E, como isto, continuando...

E gostava,
para as infinitamente delicadas coisas do espírito
(quais? mas quais?)
em oposição com a braveza
do jogo da pedrada,
da pontaria às coisas certas e negadas,
gostava...
de escrever com um fio de água!
um fio que nada traçasse...
fino e sem cor... medroso...
Ó infinitamente delicadas coisas do espírito...
Amor que se não tem,
desejo dispersivo,
sofrimento indefinido,
ideia incontornada,
apreços, gostos fugitivos...
Ai, o fio da água,
o próprio fio da água poderia
sobre vós passar, transparentemente...
ou seguir-vos, humilde e tranquilo?
 
Irene Lisboa