quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Excertos III


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És, somos como uma natureza morta exposta num quadro de uma sala qualquer, que um pintor qualquer - tal como tu - se lembrou de retratar. 
(...)

Acho cada vez mais que é para isso que te escrevo. Para que fiques aqui guardado como um pedaço bom da minha vida. Como uma música que só ouço por acaso, tal como tu foste. Um acaso na minha vida. Esquecer é muito perigoso. Eu estou a esquecer aquilo que foste. Não te esqueço a ti, porque não dá. És um ser humano e nós não somos nem seremos nunca descartáveis.

Escrevo-te a partir de hoje e como começou, a falar-te dele. Porque gostava que um dia soubesses o bem que ele me faz. (...)
Uma parte de mim apagou quando foste. Não a perdi porque a viagem foi curta de mais para ter eu perdido alguma coisa com a velocidade do tempo. Nem poderia perder eu algo que na altura seria metade minha, metade tua. 
Não somos mais nós. Nem fomos. Não há nada que pudesse eu mudar para ter sido diferente. Acho que foste porque eu não poderia ter ido contigo. Somos dois peixes de aquário, perdidos no mar alto. Não poderia ir para o aquário quando havia alguém na maré seguinte.


1 comentário:

nês disse...

profundo, mas adorável!